A paisagem do Colorado, região montanhosa dos Estados Unidos, saiu da monotonia desde que o artista norte-americano Curtis Killorn entrou em ação. Seu último feito foi pintar árvores mortas há centenas de anos do estado com cores fortes. Se antes passavam despercebidos, agora esses elementos chamam atenção por todos que passam pelo local. Tonaram-se protagonistas no ecossistema árido.
“Eu pinto as árvores mortas em cores brilhantes nas montanhas do Colorado como arte pública. Estas árvores têm sido destaque em vários jornais locais e regionais, além de revistas. Agora estou recebendo pedidos para oferecer o meu trabalho em propriedades privadas”, contou o designer ao portal Dark Roasted Blend.
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E ele continua: “As árvores que eu pinto resistirão por centenas de anos. O que eu faço é trazer ‘vida’ para elas de uma forma completamente nova. Esta árvore, que uma vez foi morta, agora está viva para ser notada por todos. Já não se mistura com todas as outras falecidas”.
“Terça-feira, às 6h15, guerrilheiros do crochê de volta a ação!”. É assim que Alícia Roselló Gené, uma ativista do “knit graffit” (tipo de arte urbana que usa lã) convoca uma ação em Barcelona por meio de seu blog. Para participar da chamada “guerrilha”, cada participante tem que levar um pedaço de malha feita em tricô verde, com o propósito de reivindicar a falta de parques e áreas verdes no bairro.
Conhecido como “knit graffit” ou “yarn bombing” (em tradução livre, “explosão de lã”) a técnica consiste em envolver pedaços, recortes ou fios de lã em objetos urbanos com o propósito de levar mais aconchego e cor para as cidades. A ideia surgiu em 2005, com a texana Magda Sayeg, que fazia tricô em casa, mas teve a idéia de levar uma “arte mais humana para as ruas”.
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Magda é criadora do projeto pioneiro “Knitta, Please”, que a leva pelo mundo tricotando em grandes centros urbanos. Dentre algumas das ousadas peças organizadas por Sayeg estão a produção de um ônibus em El Salvador e ação com árvores de um Parque ao prédio do Capitólio, em Washington.
Em entrevista, artista Knotorious Meg de Virginia, nos Estados Unidos, fala sobre o perigo da arte de rua feita com lã acabar poluindo as ruas ao invés de enfeitá-las. “Normalmente, meus trabalhos são removidos pelos trabalhadores da cidade antes que haja algum perigo deles molharem ou estragarem. Se eles permanecem por vários meses e começam a desgastar, eu saio e removo eu mesma. Fiz uma ‘bomba de fios’ em Londres em outubro e um amigo recentemente me mandou uma foto mostrando que ela continua ativa, mas já está parecendo bem gasta. Então, pedi a ele para ir lá e removê-la. Eu quero iluminar as ruas, e não torná-las sujas”, diz Meg.
Essa prática é tomada pela maioria das “grafiteiras de lã”, que colocam em algumas de suas obras uma etiqueta com o nome do grupo, como uma forma de assinar a peça.
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“Knit Graffiti é definitivamente arte de rua”, diz Meg. “A cidade onde moro é muito rígida com grafite, mas parece pegar mais leve com grafites feitos com malha. Em uma entrevista por telefone para a imprensa local me perguntaram sobre a legalidade do que estou fazendo. A polícia afirmou que, enquanto o trabalho for removível e não causar danos permanentes ao imóvel, eu não iria entrar em apuros” .
Mesmo que homens participem das “guerrilhas”, as mulheres ainda são maioria nessa arte urbana e mesmo que sofram menos repressão policial, acham que sua arte não é entendida. “O grafite com lã pode ser muito relacionado com o grafite tradicional. No entanto, por ter uma aparência mais confortável, é mais fácil conseguir uma maior aceitação do público. Uma coisa que acho que os grafiteiros tradicionais talvez não entendam é quanto demora para cada peça de malha de tricô ser feita. Pode demorar horas para fazer apenas um pedacinho de malha, diz Leanne Prain do Yarn Bombing”.
“Existe uma mulher em Paris que usa o grafite para preencher buracos no asfalto. Além de belo, a malha pode ser fonte positiva contra o aquecimento global”, completa.
Crocheteiras utilizaram 24 kg de fios de barbante para decorar árvores.
Trabalho foi feito para o Natal, mas ficará permanente na localidade.
Árvores com artesanato colorem praças e ruas da cidade (Foto: Fabiane de Paula/Agência Diário)
As artesãs de Curral Grande, no distrito de Serrote, em São Gonçalo do Amarante, decidiram dar um presente de Natal especial para toda a comunidade com cerca de 600 habitantes. Na praça principal da localidade, as 16 árvores que contornam a igreja ganharam, dos caules aos galhos, diferentes cores e adornos todos feitos de crochê. “A gente está inovando e querendo alertar para questão da ecologia, de que devemos cuidar das nossas árvores”, afirma a presidente Associação de Artesão de Curral Grande (Artfio), Maria da Conceição Juvêncio Sousa.
A ideia de cobrir as árvores com crochê surgiu depois de uma visita em 2012 da cantora Marisa Monte, fã do trabalho. “Ela veio comprar umas peças e, como também é uma crocheteira e apaixonada por crochê, me mostrou no celular umas fotos de árvores enfeitadas com crochê nos Estados Unidos”, conta Conceição. O projeto piloto foi feita na árvore em frente à Associação ainda no começo deste ano. “Fizemos para ver a reação das pessoas e todo mundo gostou”.
No início do mês de novembro, as crocheteiras começaram a produção para colorir toda a praça da comunidade de Curral Grande. As artesãs da Artfio se dividiram em equipes, adotaram as árvores e deixaram a criatividade e história de cada uma dar significado às decorações.
As mulheres tiveram de medir uma a uma as árvores e costurar os desenhos direto nos caules. Para enfeitar os galhos, usaram mesas até alcançar a altura ideal. Durante o processo, elas passavam o dia todo dedicadas à decoração, chegando de manhã e só deixando a arte à noite, com pausa para o almoço.
No fim da produção, custeada pelas próprias mulheres, foram utilizados cerca de 24kg de fios de barbantes de todas cores. O resultado do presente de Natal foi árvores multicoloridas, com inspirações de flores, animais em extinção e, até, da Copa do Mundo. Para finalizar, as artesãs colocaram pisca-piscas que iluminam a arte durante a noite.
O presente das crocheteiras será permanente. Quem passar pelo local, independente da época, poderá ver o talento e a força das mãos dessas mulheres de Curral Grande. “A ideia é deixar a decoração nas árvores. Vamos tirar só os piscas-picas, o crochê vai permanecer. No fim do ano que vem, podemos ir renovando todo esse crochê”, diz Conceição.
Os trabalhos das artesãs da Artfio, como colchas, tapetes, toalhas de mesa, redes, almofadas, podem ser vistos e comprados na Central de Artesanato do Ceará (Ceart), em Fortaleza. A beleza e qualidade das peças também já são reconhecidas e levadas para outros estados como Alagoas, Pernambuco, Goiás, Minas Gerais e São Paulo.